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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Viver em São Paulo

Caros amigos,

lhes escrevo esta missiva a partir daquela terra distante chamada “a terra da garôa”. Até agora não vi garôa nenhuma. Vi chuva. E muita. E meleca preta. Muita meleca preta.

Lhes contarei das maravilhas tecnológicas dessa terra mística e fabulosa. Aqui, ao contrário da terra onde a maioria de vocês se encontram, as toalhas não secam em quinze minutos. As vezes é necessário esperar mais de um dia. Ainda bem que, para acompanhar o odor dos nativos, eu apenas tomo banho de quinze em quinze dias.

Tempo mais que suficiente para usar toalhas secas.

Meu apartamento não possui máquina de lavar roupa. Eu tomei isso como um sinal divino e decidi não lavar mais a roupa. Sou uma pessoa mais feliz agora. Calcinhas foram feitas para serem jogadas fora. Meu plano é sacar as economias que eu tenho guardadas na poupança e comprar 365 Calcinhas, sutiãs e pares de meia. Exatamente daqui a um ano, farei a mesma coisa.

Ontem eu vi um mendigo cagando na rua. Fiquei tão distraída que pisei em outro mendigo. Pelado.

Aqui existem cinemas 24 horas de projeção digital 3D, com som Dolby Surround Mega Plus 6.3. A qualquer hora do dia e da noite você pode desfrutar do que existe de melhor na sétima arte, como “Xuxa e os Doentes 2″ e “Princesa Lili e o Mudinho Didi”, com a melhor qualidade de som e imagem que a humanidade já foi capaz de produzir.

Aqui, diferentemente de como as coisas são por aí, as pessoas não andam em pequenos carros. As pessoas andam em carros grandes e compridos, que cabem quase cinquenta pessoas (mais se algumas forem em pé), e que correm pela cidade, parando de rua em rua, para coletar mais gente ou se livrar de alguns passageiros. A passagem custa quase nada. Ouvi falar de uns carros maiores ainda que andam debaixo da terra, em túneis. Lenda, obviamente. Caso isso seja verdade, temo que seja um caso de bruxaria.

Aqui é aparentemente proibido que os carros andem a mais de cinco quilômetros por hora. Por isso os carros se juntam e enchem as ruas, andando lentamente, em solidariedade aos outros carros que andam lentamente. Os locais abrem as janelas e conversam entre si. Nessas horas eles desenvolvem o livre comércio característico dessas partes. Umas pessoas chegam nas janelas e trocam facadas na barriga por alguns dinheiros. Alguns saem de seus carros e os dão para outros locais, aparentemente mais pobres.


Ouvi falar de um francês que, semana passada, resolveu correr na rodovia a 10 quilômetros por hora. A polícia o matou, obviamente.

Essa é com certeza a terra dos nerds. Ah, se vocês acham que, em algum momento, eu cheguei de certa forma a lembrar um nerd, é porque vocês nunca vieram pra cá. Ontem eu vi um homem de quarenta anos, com mais ou menos 200 quilos, com uma camiseta com todo o texto do “Juramento Jedi” escrito em letras fosforescentes, usando um anel igual ao do Frodo no pescoço, sentado na grama descalço jogando Pokémon, ouvindo trilha sonora de video-game num iPod Edição Especial Darth Vader. Eu nunca vi algo igual. É claro que eu o desafiei a uma partida e hoje somos melhores amigos.Ele cria hamsters em suas dobras.

Depois lhes contarei mais, se algum dia conseguir parar de trabalhar tempo o suficiente pra pegar um daqueles pássaros metálicos que me levaria de volta a onde vocês se encontram.



Atenciosamente
Ísis Medeiros

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas


Hoje publico o trabalho de algum artista que não faço a menor idéia quem seja… de Marcelo Zocchio e Everton Ballardin. Seu trabalho viral se espalhou por diversos sites pela internet. São imagens de expressões idiomáticas que utilizamos no dia-a-dia que se forem exercidas no sentido literal, não fazem sentido algum… Comédia!

Segundo o pai dos burros WikiPédia, uma expressão idiomática ou expressão popular, na língua portuguesa, é uma expressão que se caracteriza por não ser possível identificar seu significado através de suas palavras individuais ou de seu sentido literal. Desta forma, também não é possível traduzi-la para outra língua de modo literal. Essas expressões geralmente se originam de gírias, cultura e peculiaridades de diversos grupos de pessoas: seja pela região, profissão ou outro tipo de afinidade.
Parabéns ao autor aos autores [e sua equipe], é um ótimo trabalho. Se alguém souber quem produziu essas fotos, por favor comente.




Procurando cabelo em ovo


João sem braço

Quebrando o galho

Soltando a franga

Com a faca e o queijo nas mãos

Segurando vela

Pau na máquina

Uma mão lava a outra

Pisando na bola

Queimando a rosquinha

Mala sem alça

Pondo as barbas de molho

Tirando água do joelho

Sem pé nem cabeça

Com o pé atrás

Andando na linha

Trocando os pés pelas mãos

Testa de ferro

Pedra no sapato

Minhoca na cabeça

Carta fora do baralho

Marcando touca

Molhando o biscoito

Tempestade em copo d'água

Pagando o pato

Trocando as bolas

Chorando pelo leite derramado

Descascar o abacaxi

Acertar na mosca

Bateu as botas

Agasalhar o croquete

Com a corda no pescoço

Enchendo linguiça

Chutar o balde

Engolir sapo

Chá de cadeira

Pendurar as chuteiras

Mão na roda

Entrar pelo cano

Vi aqui

quarta-feira, 4 de março de 2009

10 coisas que seus bisnetos não lembrarão


Portanto, para que você se sinta bem velho e para lembrá-lo de sua própria

mortalidade, elaborei esta lista de 10 coisas que conhecemos agora, mas que seus

bisnetos vão morrer de rir ao saber que usávamos ou fazíamos.

1 - Jornais diários impressos
Os diários sofreram um grande golpe com esta economia fajuta, mas sinceramente, é algo que já estava por acontecer. Um diário impresso simplesmente não pode competir com a internet e a televisão neste mundo globalizado, o que significa que os jornais logo logo só servirão para embrulhar o peixe da feira, para forrar o fundo de gaiolas ou para perder tempo no banheiro do trabalho.

Muitos diários já passaram, com sucesso, às notícias on-line, e muitos deles estão abandonando suas impressoras para sempre também em busca das notícias on-line. Pode ser que restem uns poucos, alguns dos maiores, como o New York Times, mas quando seus bisnetos recordarem, os jornais impressos serão um clássico.
2 - Os fumantes
Provavelmente o cigarro deixe de existir quando a indústria do fumo deixe de ser interessante para os governos, quando a fila do SUS para tratamento de doenças e cancros causados pelo fumo seja maior que os ganhos auferidos com os altos impostos sobre a droga. E podem acreditar, não está muito longe disso acontecer. Não demorará muito em chegar o momento em que a maior parte do mundo ocidental tenha perdido todo seu interesse pela endemoniada erva marrom. Claro que nem todo mundo vai deixar de fumar, mas a cada vez é menos popular, menos e menos proeminente, até ao ponto de que seu bisneto perguntará se "...está tudo bem com a sua cabeça?" quando ver alguém de pé na esquina de uma rua qualquer com fumaça saindo da cara.
3 - Perder-se
Com dispositivos de localização GPS, ou ao menos com dispositivos nos carros e telefones móveis capazes de calcular sua posição mediante os sinais captados por um triângulo de antenas de telefonia móvel, não passará muito tempo antes que a tecnologia esteja em seu relógio de pulso, sua caneca de café ou em seus sapatos.

Pois assim será para seus filhos e netos, a capacidade de explicar direções a alguém será uma arte perdida, e tratar de folhear as páginas amarelas para buscar o mecânico mais próximo será nada mais que um costume tão ultrapassado como escrever cartas em papel de arroz. Ao menos seus netos seguirão dirigindo carros, mas os bisnetos provavelmente nem saberão o que é isto, aproveitarão para tirar uma soneca no caminho para o trabalho em seus carros automáticos ou que viajam por trilhos invisíveis.
4 - Computadores pessoais de mesa
Nos anos 60, as visões de futuro projetavam uma casa cheia de enormes caixas de metal com luzes para diversas tarefas como fazer as compras, pedir refeições ou mandar o robô-assistente limpar a casa. Eles não estavam de todo errados. Hoje temos uma caixa para todas essas coisas (exceto o do robô, isso estamos ainda esperando), mas podemos supor que em uma ou duas gerações esta caixa não existirá mais. A ideia de ter uma base permanente de trabalho localizada em uma caixa prateada ou de plástico bege em seu escritório, vai desaparecer logo, da mesma forma que estão desaparecendo os arquivos e as máquinas de escrever. Teus netos não vão fazer os deveres ou navegar pela internet inclinados em uma cadeira diante de uma tela sobre uma mesinha, senão em rolos flexíveis ou cristais, pôsteres ou projeções flutuantes no ar. Olharemos para atrás e recordaremos o tempo dos computadores de mesa com todos seus incômodos cabos e vamos rir... muito.
5 - HIV/AIDS
Na década de 80, todo mundo pensava que a AIDS iria eliminar toda a raça humana. E então descobrimos ainda no início que a doença estava matando sobretudo os gays, de modo que todos, exceto os gays, suspiramos aliviados. Até que Magic Johnson contou que estava com o HIV e ficou então evidente que não era uma doença que somente afetasse os homossexuais, todos ficaram nervosos outra vez. Mas passaram se os anos e Magic Johnson não morreu de AIDS, e os avanços na medicina chegaram até ao ponto de que ter o HIV já não é mais a mesma pena de morte instantânea que costumava ser, senão uma inconveniência menor. E nestes últimos dois anos estamos vendo vários novos enfoques na tentativa de combater e destruir o vírus do HIV. Dentro de 10-20 anos, provavelmente nem recordaremos o que era a AIDS, e será uma outra vacina a ser tomada na infância como a da poliomielite.
6 - Vídeo locadoras e lojas de discos
Há anos, quando a internet recém estreava, muita gente predisse a morte rápida das locadoras e das lojas de discos. Ainda que as locadoras de filmes sejam muitas após a migração das fitas para os CDs/DVDs as lojas de discos praticamente inexistem. E a tendência é que os dois acabem por causa das descargas mais baratas, gratuitas e/ou piratas. Para que ir até a Blockbuster quando todo o seu acervo está a um clique do mouse nos torrents? Pra que ir a uma loja de discos se você pode baixar todo o álbum no Amazon ou iTunes? Nos últimos anos, locadoras e lojas de discos estão fechando suas portas a torto e a direito. No futuro, os únicos que prosperarão serão os que atendem pequenos nichos de mercado, como as lojas independentes que oferecem clássicos, e artigos difíceis de encontrar ou de colecionadores.
7 - Líderes diferentes
Só porque os EUA tem seu primeiro presidente negro não significa que nunca mais irão ter um homem branco como presidente. Obviamente. Mas o que sim significa é que os meninos que crescem hoje em dia já não assumem que seu presidente tenha que ser branco nem que tenha que ser homem e muito menos que tenha que estudar. Conquanto o mundo da política ainda está dominado principalmente por homens brancos, não me surpreenderia que no lapso dos próximos presidentes tenhamos nossa primeira mulher presidente (Dilma, a terrorista não, pelo amor de Deus) ou talvez nosso primeiro presidente analfabeto (aliás, esse já foi escolhido), ou um presidente gay (que perigo).
8 - Telefones fixos
Mais e mais, as pessoas estão decidindo que simplesmente não vale a pena pagar por um serviço de telefonia fixa e um outro serviço de telefonia móvel, e podemos supor que esta tendência continuará no futuro. Eu somente mantenho a assinatura da Brasiltelecom por causa da velocidade da ADSL. Quando estes serviços, como o da Claro, forem confiáveis e tiverem melhores velocidades, a Brasiltelecom vai falir. E em 10-20 anos, não fará sentido manter os cabos que vão a um dispositivo externo só para chamadas telefônicas. Será como um homem solteiro ter uma máquina em casa que só lava calcinhas e nada mais.
9 - Ensinar caligrafia
Antes as escolas faziam muita questão em ensinar os alunos a escrever a mão e sobretudo a ter uma boa caligrafia. Inclusive existia até um caderno apropriado para este ensino. Crescer e ter uma letra bonita era um elemento essencial de trabalho e uma habilidade para toda uma vida, já que as pessoas eram obrigadas a escrever rápido e de forma legível, era importante. Agora, só escrevemos no post-it ou uma lista para o supermercado ou a folha de anotação do jogo de baralho... e olhe lá. Hoje ninguém mais está interessado na sua bela caligrafia... tudo se resume a e-mails, mensagens de texto, tudo é eletrônico e digital, e as escolas estão respondendo tirando a escrita manuscrita e a caligrafia de seu currículo.
10 - Ligar dispositivos eletrônicos
Não existe maior sinônimo da vida moderna, e no entanto, é algo que está a ponto de acabar para sempre. Olhe ai ao seu redor agora e veja a quantidade de dispositivos que necessitam de cabos para serem ligados até uma tomada. Um grande problema e é arcaico. Logo logo esse emaranhado de cabos virará lixo com o fluxo de elétrons livres pelo ar. A tecnologia é ainda nova, mas está avançando rapidamente. Ainda há algum trabalho por fazer, mas quando seus bisnetos tenham idade suficiente para se sentirem nostálgicos com o passado, olharão imagens da vida do princípio do século XXI, com cabos e cabos em todas partes e acharão tão pitorescos como girar uma manivela de arranque para ligar um automóvel.
Fonte: MD